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<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><atom:link rel="hub" href="http://tumblr.superfeedr.com/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"/><description></description><title>innuendobluesstorage</title><generator>Tumblr (3.0; @innuendoblues)</generator><link>http://innuendoblues.tumblr.com/</link><item><title>Resposta sobre o nome do feminismo</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 30/12/2011)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span&gt;Na realidade é bem simples. Tudo o que é feminino na nossa sociedade é odiado. Quer fazer o teste? Por que você acha que o machismo machuca homens? Porque quando eles choram - quando eles sofrem - quando eles demonstram &amp;#8220;fraqueza&amp;#8221;, enfim, eles são vistos como MULHERZINHAS. Vê? O machismo machuca os homens quando eles agem de forma vista como feminina. Mesmo o maior ferimento que o machismo pode trazer a um homem só acontece quando ele é colocado numa posição que nós chamamos de feminina: quando ele é sensível, quando ele gosta de coisas &amp;#8220;proibidas&amp;#8221; pro seu gênero, quando ele não é hetero, quando ele não exibe a imagem de macho alfa.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Chamar o feminismo de humanismo é mascarar a principal característica do machismo. O machismo tem a ver com misoginia. Sempre. Misoginia não é só odiar mulheres, é odiar também o que é feminino - é odiar algo POR ser feminino. Tudo bem você odiar fraqueza; mas, se odeia fraqueza PORQUE vê como feminino (óbvio que fraqueza não é algo inerentemente feminino), algo está errado.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Chamar feminismo de humanismo é fingir de conta que os homens que são feridos pelo machismo são feridos por outra coisa. E não. Homens feridos pelo machismo são feridos porque são vistos como feminilizados. E é esse o problema.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Por isso que é feminismo. Feminismo é a noção radical de que mulheres são gente, mas não apenas isso: feminismo é a noção radical de que fêmea, mulher, feminino, feminilidade e todas as palavras que nós associamos ao gênero ou ao sexo não são coisas erradas, ruins ou reprováveis.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Espero ter ajudado. :)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215600080</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215600080</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:53:48 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre feminismo ainda ser válido</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 27/07/2011)&lt;/p&gt;

&lt;div class="response-container"&gt;
&lt;div class="response-content"&gt;
&lt;p&gt;O fato de vivermos numa sociedade onde mulheres ainda são o principal grupo atacado por estupros, assaltos e assassinatos por crime de paixão (bem entre aspas), ainda são tratadas e vistas como objetos, ainda são medidas pela aparência física antes de tudo (e às vezes somente por ela) e AINDA ASSIM as pessoas insistirem que a luta deveria ser &amp;#8220;mais ampla&amp;#8221; e &amp;#8220;menos focada&amp;#8221; em CINQUENTA E UM POR CENTO DO CARALHO DA POPULAÇÃO prova que sim, a causa feminista é mais do que válida: é necessária e urgente.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;/div&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215541560</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215541560</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:53:08 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre como conheci o feminismo</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 06/09/2011)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span&gt;Nas comunidades sobre vegetarianismo no orkut havia muitos/as militantes feministas. Vez ou outra alguém falava algo sobre receitas veganas de cera pra depilação ou maquiagens veganas e vinham as feministas da comunidade questionar a necessidade disso. Eu achava chato pra cacete. Ficava pensando: porra, não usa então! Pra que encher o saco alheio? E ia olhar os perfis, ver as comunidades. Eu achava muita graça das comunidades feministas radicais (pra ser sincera, tem umas que ainda acho que são viajadas). E ia lendo, compulsivamente. Tive por muitos anos essa COISA de ler obsessivamente tudo que discordo. O foda é que eu ia lendo, e lendo, e tinha muita coisa que eu não podia contra-argumentar.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Não era nem que não soubesse: é que me pareciam contra-argumentos muito fracos. Eu não conseguia dizer &amp;#8220;mas depilação é uma escolha, ninguém é obrigada&amp;#8221; assim, com a cara lavada e firme. Não conseguia me convencer de que sim, nós somos iguais aos homens na sociedade, se lembrava que a maioria das mães dos meus colegas não trabalhava, que as meninas eram instigadas pelas próprias professoras a falar de ter filhos e casar, que eu tinha muito mais obrigações domésticas que meu irmão desde meus 8 anos, que as meninas que ficavam com muitos meninos eram mal vistas entre as meninas - as mesmas que veneravam os meninos que catavam todas! -, enfim. Eu via tanta coisa diariamente que dava vazão a cada um daqueles argumentos, do primeiro ao último.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Eu ia lendo, lendo, e chegou uma hora que percebi: meu, POR QUE estou tentando contra-argumentar?! POR QUE eu já cheguei aqui com a cabeça inclinadíssima a dizer que é tudo errado? O que me levou a conhecer o movimento já achando que era tudo encheção de saco? A minha própria reação imediata, o fato de eu ter procurado o assunto já detestando mesmo antes de conhecê-lo, dava um peso maior ainda pros argumentos feministas. Eu neguei um movimento que lutava por mim antes mesmo de ouvi-lo, só porque ele falava principalmente de mulheres.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Mudei a postura, procurei mais material pra ler, fui tentando pegar as informações e pontos de vista novos com a cabeça bem aberta, pronta pra ver o que me parecia verdade e o que me parecia exagero. Me surpreendi quando vi que concordava com a maior parte - e as coisas que eu discordava, discordava por não serem &amp;#8220;radicais&amp;#8221; o suficiente. Digo radical no sentido clássico, de ir na raiz do problema, não na conotação negativa que a palavra ganhou.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Sempre que o assunto surgia, eu dava opiniões indiscutivelmente feministas, sem jamais me declarar como tal. Mas isso me incomodava. Era como dizer que não, não como carne nem ovo nem leite nem uso produtos testados em animais ou que tenham componentes de origem animal e quero a libertação animal, mas não sou vegana! Me parecia igualmente hipócrita. Por que eu não podia levantar uma bandeira que acreditava com tanta ênfase? Não me parecia fazer sentido. Acabei concluindo algo que hoje uso como parâmetro pra quase tudo: se alguém não vai gostar de mim porque usei o termo &amp;#8220;feminista&amp;#8221; (e vai se recusar a pesquisar e descobrir por que o termo é esse e não outro), é alguém que não está disposto mesmo ao diálogo e, portanto, não me serve como relação.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Aí é isso. Feminismo é uma coisa tão absurdamente mal-vista, mas, me parece, porque as pessoas já são condicionadas a ter uma opinião sem embasamento algum. Eu discordo e tenho impulsos violentos quando vejo um machinho dizendo que feminismo é tudo besteira e que mulher tem mais é que ficar no tanque - mas conheço alguns que *pelo menos* leram sobre o assunto, só são pessoas péssimas (me desculpe: se você acha que determinada classe merece se foder só para o seu benefício, você é uma pessoa péssima. Não precisa militar, não precisa entrar em passeata, não precisa andar com uma camiseta da Andrea Dworkin, mas gastar sua energia para militar contra te faz ser uma pessoa péssima. Fim de discussão, não aceito seus argumentos, tenha um bom feriado). E as pessoas que são boas, têm boas intenções, mas se recusam a ler sobre o que estão falando, se informar primeiro? É difícil.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;É por isso que é tão importante se identificar como feminista, atrair a atenção dessas pessoas para, pelo menos, a informação. É complicado, é claro. Mas, pra mim, é o mesmo caso de dizer que você odeia racismo e odeia homofobia/bifobia/transfobia: porra, ao ficar calado a gente dá mais chance ao opressor de continuar falando. Eu mesma vivo não tendo energia pra isso, mas tento me obrigar. Uma hora fica mais fácil. Espero.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215340218</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215340218</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:50:52 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre aborto ser assassinato</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;(Pergunta respondida em 10/05/2011)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Claro que não vejo um embrião como um ser humano possuidor de direitos e digno de proteção. Senão eu não seria pró-aborto (bem - talvez fosse!). Sei que é a analogia mais antiga do mundo, mas é tão válida que seria um pecado não citá-la: você aceita um ovo como uma galinha ou galo? Você chama seu omelete de panqueca de galinha? Um embrião é um embrião, um feto é um feto - uma criança, um bebê, são bem diferentes disso.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Também acho que se focar nos direitos do bebê é perder o ponto. Temos um ser humano inegavelmente completo e possuidor de direitos e digno de proteção - a porra da gestante! - e perdemos horas e horas debatendo uma questão que nem cientistas conseguem definir, porque a definição de vida é muito ampla e subjetiva. Então pensamos da seguinte maneira: dane-se o ser humano inegavelmente completo e possuidor de direitos e digno de proteção; vamos deixar que ele morra com um cabide - ou perdendo sangue por mal uso de remédios ilegais - ou cometendo suicídio - ou em depressão, enfim, vamos ignorar esse ser humano inegavelmente completo e possuidor de direitos e digno de proteção para dedicar toda a nossa atenção e empatia a&amp;#8230; células que podem talvez quiçá a vir a ser um outro ser humano completo e possuidor de direitos e digno de proteção.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Só me parece fundamentalmente errado.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Em termos Pokémon, Caterpie e Metapod não são Butterfree. Mas me ignore, me ignore.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215223483</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215223483</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:49:00 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre o patriarcado oprimir homens</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 03/12/2011)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span&gt;Assim. Quando eu conheci os blogs feministas brasileiros, o que mais me interessou foi o Marjorie Rodrigues (marjorierodrigues.com). As análises de publicidade eram muito engraçadas e, mais do que isso, era o único blog que pegava coisas do meu dia e me dizia: dá uma olhada nisso aí. Eu me identificava mais com o discurso da Marjorie, achava que era o que pensava nas coisas mais profundamente. Tinha cara de que ela sentava e começava a divagar enquanto digitava, não de que ela vinha com uma opinião feita pra tela do computador. E isso, pra quem estava chegando agora e cheia de questões conflitantes, como eu, foi esclarecedor.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;O blog dela sumiu e depois ela voltou, fazendo mestrado na Hungria e com bem menos posts. Mas um deles era sobre a união do movimento, com uma análise bem diferente e muito mais profunda do que as que ela fazia antes: ela falou em gênero, falou em opressão e privilégios, falou de todo um discurso acadêmico que eu conheci no tumblr, com estudantes de gênero que postavam lá os resultados de suas aulas.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;O que quero dizer é que o blog dela falava a minha língua quando eu não sabia porra nenhuma e continuou falando a minha língua quando eu entendia coisa pra caralho.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;E ela postou esses dias que a identidade dela como feminista estava mudando, e que isso era positivo. Aguardo clarificação (hahaha) mas achei isso interessante, achei positivo também.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;É aí que chego na tua pergunta.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;O meu feminismo jamais foi homens vs mulheres. Jamais foi porque era isso que eu entendia que era feminismo e era por isso que eu dizia merdas como &amp;#8220;não sou feminista nem machista, sou pela igualdade&amp;#8221;. A minha identidade feminista se preocupou bem, bem cedo com gênero: o que significava gênero, por que tudo que é ruim é sempre feminino, por que odiamos o feminino. Essas coisas.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Se pensamos em gênero, e pra mim não há como pensar feminismo sem falar de gênero, o sexismo/machismo e mesmo a misoginia são dolorosos, sim, para homens.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Pensa num cara que tem vergonha de abraçar o filho. Nos amigos que não dizem que se amam, embora minhas amigas e eu digamos isso (e meus amigos também, mas né? Tudo puta e bicha) sempre. Nos caras que se cuidam o tempo inteiro para não transmitir &amp;#8220;sinais de gay&amp;#8221;. Atentem que esses sinais de gay não são nada mais, nada menos que transmitir códigos associados ao feminino; o problema não é ser gay porque ser gay é ruim, não sejamos reducionistas. O problema é que sendo gay você deixa de pertencer em totalidade ao seu gênero, o masculino. Ser mulher é precisar de homem, ser homem é querer mulher, e se você não quer mulher&amp;#8230; a sociedade te vê como menos homem. Na nossa sociedade binária, onde você ou é homem ou é mulher, ser menos homem é ser mais mulher. Ou alguém acha coincidência os gays mais &amp;#8220;efeminados&amp;#8221; serem justamente os mais perseguidos e odiados? É isso que significa quando dizem &amp;#8220;tudo bem ser gay, só não gosto que dê pinta&amp;#8221;: seja viado, mas não esfregue na minha cara que você virou mulher.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;O machismo fere homens porque os prende numa esfera da qual não podem sair de maneira alguma, sob risco de perder seu privilégio de ser homem - ou pelo menos tê-lo ameaçado. O machismo faz com que homens tenham medo de qualquer emoção mais profunda entre eles e entre mulheres. Qualquer cara aqui que fugiu a algumas &amp;#8220;regras&amp;#8221; da masculinidade sabe a que me refiro: a cada vez que você diz que não quer pegar todas as mulheres, ou se põe como feminista, ou critica algum comportamento &amp;#8220;masculino&amp;#8221; que vê como escroto, ou adota um comportamento de &amp;#8220;menininha&amp;#8221; (ler livros que não sejam técnicos, quadrinhos ou ficção científica; assistir filmes que não sejam de ação, aventura, suspense ou terror; etc, são essas coisas pequenas), enfim, a cada vez que você faz qualquer coisa não-estritamente-masculina, sua masculinidade - o seu gênero - é posta em questão.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Na nossa sociedade, tudo que é masculino é BOM, é valorizado. Mas e se você é um homem que não quer ser associado a isso? Você sofre machismo e sofre, sim, misoginia. Se seu gênero masculino é posto em questão e veem tudo que é masculino como melhor, VOCÊ é posto em questão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215148381</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215148381</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:48:43 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre autoras feministas</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 31/12/2011)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span&gt;Eu sei que as clássicas são Simone de Beauvoir (O Segundo Sexo), Germaine Greer (O Eunuco Feminino / A Mulher Eunuco), Naomi Wolf (O Mito da Beleza) e Betty Friedan (Mística Feminina). Deve ter mais cujos nomes não estou lembrando agora, mas essas são as mais conhecidas. Eu não li nenhuma. Li Simone em excertos, não consegui achar o livro integral pra ler - até porque o mais barato, mesmo em sebo, que eu achei custava 40 reais (e era só a primeira parte do livro!) -, mas conheço a teoria dela de modo geral e é a feminista com que mais me identifico. Li alguns excertos da Naomi Wolf também. Betty Friedan não li, mas também não tive interesse: a crítica que mais vejo ao livro dela é que ela só foca em mulheres brancas, e não tinha uma opinião exatamente positiva sobre lésbicas. Quero muito ler a Germaine Greer; a proposta de que homens odeiam mulheres, mas não percebem e foram ensinados a tal é dela, e isso é bastante interessante e foi revolucionário na época.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;A Mulher Eunuco pode ser encontrado na Estante Virtual por 3 reais. Mística Feminina achei por 80 reais lá, uma fortuna, não pago MESMO. O Mito da Beleza achei por 90. Aconselho a procurar Mito da Beleza e O Segundo Sexo na faculdade, se tu fizer, porque com certeza tem na biblioteca; se tu não fizer faculdade, implora pra um amigo ou amiga que faça pra pegar pra ti. Já vi todos esses disponíveis online, por outro lado, se ler no computador for uma opção.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Outros nomes que me ocorrem são Monique Wittig e Andrea Dworkin. Li alguma coisa delas, não muito. As duas eram feministas lésbicas e pra muitos iniciantes essa informação é chocante, mas saibam que lésbicas NÃO eram ouvidas dentro do movimento feminista. Elas eram vistas com preconceito dentro da própria comunidade. Não por acaso, a Monique e a Andrea eram talvez as mais radicais, em muitos sentidos: o texto da Andrea é marcado pela crítica a pornografia, e a Monique falava em se definir não como mulher, mas como lesbiana - uma classe diferente (creio que isso seja inspirado na definição da Simone de Beauvoir de mulher e a famosa frase sobre não se nascer mulher, e sim se transformar em uma). Os trabalhos delas têm muita coisa que fazem feministas estudadas e rodadas torcerem o nariz. Eu não concordo com tudo; em especial, não concordo com muita coisa que a Monique dizia, mas entendo e não acho que ela estivesse exagerando, ao menos pra maior parte. Ambas são facilmente encontráveis na internet.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;A Alice Walker, pelo que achei agora numa pesquisa, também escreveu não-ficção feminista. Considerando que ela é a autora de A Cor Púrpura, provavelmente o livro de ficção que mais tem feminismo pingando das páginas, tenho certeza de que deve ser incrível. E numa perspectiva racial, também, que é super importante e muito esquecida no movimento feminista mainstream; quem dominou o movimento, historicamente, foram as brancas, que viviam um machismo bem diferente do sofrido pelas negras e de outras etnias. Além dela, tem a Angela Davis. Não consigo nem achar artigo na Wikipedia sobre os livros dela, mas pelo que conheço da biografia e do que li dela na internet sei que, pra ser ruim, só se ela tiver se esforçado MUITO. Women, Race &amp;amp; Class, o livro dela que mais me parece interessante, custa uns 10 dólares na Amazon. QUERO mas frete. Tem alguma coisa dela na Estante Virtual, e baratinho, mas nada sobre feminismo.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Um livro que me recomendaram, mas ainda não me prestei a procurar, é Full Frontal Feminism, da Jessica Valenti, a dona do Feministing. Não li nada do Feministing, só sei que no tumblr reclamam bastante de transfobia da parte dela - claro, às vezes o pessoal do tumblr dá umas viajadas, vai saber, mas foi o suficiente pra eu não fazer muito esforço para ir atrás. De qualquer maneira, Full Frontal Feminism é recomendado como um baita guia para iniciantes. Na Livraria Cultura tem por 41 reais, em inglês.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Por fim, tem um livro que eu quero ler há muitos meses. Chama-se Whipping Girl e foi escrito pela Julia Serano. Fala de feminismo na ótica de uma mulher trans. Li uns trechos que ela disponibilizou na internet e fiquei encantada.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Curiosidade: acabei de achar a Barbara Kesel, que trabalhou para a DC Comics e se opõe ao sexismo (bastante tenso) da indústria de HQs. Maneiro! E acabei de descobrir que a Andrea Dworkin foi casada com um cara, e ela continuou se identificando como lésbica e ele, como gay. Chorei sangue, gente, chorei sangue, como assim aconteceu com a fucking Andrea Dworkin o que aconteceu comigo, alguém me dá um abraço.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Enfim, boa leitura! &amp;lt;3&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215066528</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42215066528</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:47:47 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre literatura cult</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 25/10/2011)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span&gt;Acho engraçado como uma galera sempre recomenda Machado de Assis. Mas, cara, assim. Machado de Assis não é Ziraldo. Não digo, com isso, que seja melhor ou superior, apenas que não é um texto de leitura fácil e corrida, não é daqueles que tu senta pra ler e engole tudo que nem trakinas molhada no leitinho com nescau. As descrições são minuciosas, longas, filosóficas, é um texto travado. Duvido abertamente que tanta gente assim leia Machado de Assis. Na minha primeira aula de Teoria da Literatura, a professora perguntou quais nossos autores favoritos e, depois que uma respondeu Machado de Assis, a sala inteira respondeu a mesma coisa; no entanto, poucas aulas depois o pessoal estava reclamando de ter que ler três livros (no semestre!) pra essa matéria. Oras, quem lê Machado de Assis - que, repito, não tem um texto leve - por diversão sem dúvida encara 3 livros por semestre com tranquilidade.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Em outra aula, vi uma moça falando que agora ia sair e ler Machado, que era o tipo de leitura que ela gosta. Eu também gosto, então perguntei que livro era, se romance ou contos. Ela disse &amp;#8220;é Brás Cubas alguma coisa&amp;#8230;&amp;#8221;. Cara. Pra que mentir tão obviamente? Ela não me pareceu menos inteligente depois de ter demonstrado não fazer ideia do que estava falando. O que você lê não te torna inteligente. Parem de fazer de conta que leem uma parada que vocês não leem. Eu nunca vou ler A Odisseia. Nunca vou ler uma porrada de livros em tese obrigatórios. Meu QI não vai abaixar um único ponto por isso. Se é idiota - e eu acho idiota! - que você precise gostar de alguma coisa para ter sua inteligência validada, vamos começar parando de mentir que gostamos dessa coisa e passando a mostrar pros outros que literatura não é ciência exata. Que você pode achar Machado de Assis e Shakespeare genuinamente ruins e nem por isso ser um leitor incapaz. Eu gosto de Machado de Assis, gosto mesmo e gosto pra caralho. Mas se você quiser me dizer que acha mal-escrito, que acha uma merda, eu não vou achar que você é um ignorante sem noção do que diz. Porque literatura é isso, saca? Cada um valoriza e espera coisas diferentes de cada texto e ninguém deveria ser considerado pior erudito por achar que Dostoiévski não era essas coca-cola toda.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Isso, aliás, me lembra de um colega meu da cadeira de sexta-feira que estava falando que o que interessa a ele, num livro, é a história, não o estilo de contá-la. Eu discordo, mas não acho que por isso ele seja mau leitor. Acho que ele busca num livro algo diferente do que eu busco, mas isso não quer dizer que ele vá ser um mau professor de Literatura e eu, uma boa. Eu tinha uma professora que tratava Literatura como ciência exata, como pode e não pode gostar, como certo e errado e, sinceramente, não só a aula dela era uma merda fedida como todo mundo se formou ODIANDO ler com todas as forças, e hoje mente que lê Machado de Assis. Muito bom, hã?&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Enfim, acabei divagando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42214467167</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42214467167</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:41:05 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre vegetarianismo</title><description>&lt;p&gt;(Pergunta respondida em 25/07/2011)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span&gt;Olha, poder eu posso. Mas é tão cansativo que você não tem idéia. É um pedido que recebi tantas vezes nos últimos cinco (cinco? Nem lembro) anos que só de ver já me dá vontade de nunca mais falar pra ninguém que sou vegetariana. Ninguém consegue aceitar o conceito &amp;#8220;eu faço isso porque acho certo pra mim&amp;#8221; sem vir aqui me dar show de moral de cuecas*, como se eu tivesse apontado o dedo e dito que eles são errados por comer carne. Não tenho paciência.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Em resumo: EU acho que comer carne é errado. Acho pra mim. Não vou abrir a boca pra dizer isso pra ninguém. Não é como machismo, homofobia, racismo etc, que abro a boca e foda-se se não gostou. As pessoas, bizarramente, são mais receptivas com você defender aborto do que defender parar de comer carne - mesmo que você defenda só VOCÊ MESMO parar de comer carne. (E veja que eu defendo os dois!) Acho que eu não preciso comer animais, acho que não preciso contribuir no sofrimento. Claro que sei que me abster de consumir produtos de origem animal não vai ajudá-los em absolutamente nada; não sou ingênua o suficiente. Mas não quero fazer parte. Eu me abstenho de fazer coisas erradas todos os dias, inclusive coisas que tenho inclinação natural para fazer, mesmo sabendo que essa abstenção em nada vai melhorar o mundo. Encaro não comer carne da mesma forma: eu acho errado. Eu não gosto. Eu não preciso participar. Então não participo. É só isso, na realidade. Enxergo como uma manifestação tão individual que ter que ouvir desaforo por isso se torna duas vezes mais irritante - uma vez porque nunca faço isso com ninguém, e uma segunda porque as pessoas se sentem no direito de me importunar por uma decisão que, para mim, é tão pessoal quanto me depilar ou usar Google Chrome ao invés de Firefox.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42214368655</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42214368655</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:40:00 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre virgindade</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;(Pergunta respondida em 04/06/2012)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Vamos perguntar uma coisa primeiro: o que é virgindade?&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Virgindade é, por definição, nunca ter feito sexo. E o que isso significa? O que significa fazer sexo? Eu vejo muita gente estupidamente dizendo que só é sexo se tiver pênis no meio, se tiver penetração. Então é virgindade até haver penetração com pênis? Por quê? Quem decidiu isso? Qual a base pra isso? Ah, então é virgindade até o hímen rasgar? Mas o hímen não se parte tão facilmente; não é uma membrana que cobre toda a entrada da vagina e sim um tecido fininho que fica na volta, que pode ser maior, menor e, em casos raros, cobrir a maior parte - e aí precisa de perfuração feita por um médico. Agora, digamos que uma moça tenha um hímen desses que cobrem a maior parte ou todo o canal vaginal e vai a um ginecologista e ele faz a perfuração; ela perde a virgindade aí? E, se o que define a virgindade é o hímen, um homem nunca pode deixar de ser virgem? Veja que é um assunto muito mais complexo do que se examinado à primeira vista; o que significa virgindade pra mim pode não significar pra ti. Lembro de uma colega falando sobre quando ela tinha feito sexo com uma guria, e aí dito logo depois que ela era virgem. Eu fiquei pensando: mas tu fez sexo com a guria! Isso não é, por definição, perder a virgindade? Mas, pra ela, e pra muita gente, só se perde a virgindade com penetração vaginal usando um pênis.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;E aí chegamos a um ponto que acho ainda mais essencial: pra que serve isso?&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Biologicamente, pra porra nenhuma. O que nos leva, finalmente, ao status de socialmente construído.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Historicamente, a virgindade serve só e unicamente para manter mulheres na linha. Recentemente, foi começada a usar como ameaça para homens que não estavam sendo pegadores o suficiente - o que também é ruim, mas é ridiculamente novo se comparamos ao primeiro caso. Seja como for, a situação atual é que a virgindade serve só para oprimir: oprimir as mulheres que não são virgens e os homens que são. Ensinar às garotas desde cedo que virgindade se perde só com quem tu ama e é especial, e ensinar aos garotos desde cedo que virgindade é um estigma do qual eles têm que se livrar. E isso serve a quem? A ninguém em particular, mas à sociedade para manter nossa percepção de sexo e sexualidade como está.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Veja que nem tudo que é socialmente construído é ruim; construímos socialmente o conceito de gênero, construímos socialmente o conceito de pai e mãe, construímos socialmente tudo ou quase tudo que está presente na nossa vida. Mas o construto social da virgindade não tem qualquer utilidade social afora a da opressão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42214302278</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42214302278</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:39:14 -0500</pubDate></item><item><title>Resposta sobre cotas</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;(Pergunta respondida em 03/10/2011)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Sim, sou a favor, e bastante. Normalmente eu daria um link onde isso é melhor explicado do que eu seria capaz de produzir, mas vou me impedir de ser preguiçosa aqui.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Vou começar pelas cotas para egressos do ensino público. Parece picaretagem, confesso e concordo, que o governo tenha inventado um tapa-buraco que disfarça as cagadas do próprio governo. O problema: o ensino público não compete ao presidente. Surpresa! Pois é. O Lula e a Dilma não têm nada a ver com o péssimo ensino que tive no ensino fundamental; o ensino fundamental é de responsabilidade da prefeitura e o médio, de responsabilidade do governo do estado (exceto nas raras exceções de uma escola fundamental federal). O MEC pode fazer algumas coisas, é claro, como exigir um determinado currículo, mas se falta professor a Dilma só pode acenar e sorrir. Se o piso estadual é baixo ela só pode acenar e sorrir. Se o estado não paga o piso nacional ela só pode acenar e sorrir.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Nunca vou esquecer uma vez em que estava lendo um fórum onde o Thiago era moderador e um cara tava explicando por que ele ia votar no Serra e não na Dilma. Resposta: porque o PT não valorizava a educação. Eu já comecei a fazer cara de dúvida aí. Mas o cara ainda termina: ele já tinha dado aula pro ensino médio público e ficado chocado com o péssimo ensino; Verifiquei o estado onde ele estava, mas já tinha uma suspeita. Dito e feito: São Paulo. Tive que avisar: amigo, você está votando no CULPADO disso. No governador do teu estado. Ele é um dos responsáveis por tu ter dado aula num ensino péssimo. A maioria das pessoas nem sabe a QUEM culpar pela má educação, que dirá como resolver o problema.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Tudo isso eu digo pra chegar neste ponto: o maior argumento anticotas não se sustenta quando a gente para pra pensar em qual governo é responsável pelo problema da educação, e quando a gente para pra pensar que esse problema da educação é bem anterior tanto ao governo do PSDB quanto ao do PT. O buraco é mais embaixo. A questão é mais longa e trabalhosa. As cotas são, sim, um tapa-buraco, mas um tapa-buraco que pode permitir uma família que nunca teve graduação superior ao ensino fundamental ter seu primeiro bacharel. Um tapa-buraco que pode quiçá diminuir o número de carros importados estacionados na UFRGS. Um tapa-buraco que pode fazer uma pessoa que tem dinheiro pensar &amp;#8220;Caralho, eu podia estar na PUC, né? Se eu posso pagar e a faculdade é boa!&amp;#8221;. Eu acho ótimo que haja algo que FORCE a entrada de gente que fez ensino público. Claro que sempre tem falhas, conheço gente que fez ensino público e cursinho pra entrar na UFRGS - ou seja, a pessoa podia ter pago TRANQUILAMENTE uma escola particular pro filho, mas preferiu botar no ensino público pra ter acesso às cotas. Também conheço gente que fez ensino público no Colégio Militar e conseguiu cota na UFRGS. Melhor escola da cidade, quiçá do estado + cotas. E não era alguém sem dinheiro que fez Militar. Porque isso raramente existe. É mais difícil entrar no Militar do que na UFRGS. Enfim, divago. Quero dizer que é claro que existe gente com dinheiro que não PRECISA desse recurso abusando dele - afinal, não tem gente com dinheiro cursando faculdade pública? Que foi feita pra gente que não tem como pagar? As cotas estão aí pra lembrar às faculdades públicas que elas são exatamente isso, públicas, destinadas a trazer conhecimento e diploma a gente que não tem outros meios de consegui-los.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Isso tudo é importante pras cotas raciais, também. Não vou comentar que boa parte da população pobre é negra nem nada que seja consequência, vou tentar me focar nas causas. Negros ainda são focos de piada envolvendo assalto e bagaceirice. O ensino destinado a negros ainda é inferior (e se uma criança branca acaba caindo no meio desse ensino - como foi o meu caso - é visto como acidente de percurso). Ainda vivemos num país intrinsecamente racista, onde o simples fato de ter cabelo crespo te impede de ser bonita (porque não é &amp;#8220;cabelo bom&amp;#8221;) e a cor da tua pele vira tua característica determinante. Há muitas soluções pro problema - não sei citar muitas de minha própria opinião, só as que vejo as pessoas sugerindo -, mas enquanto estamos aqui discutindo filosofia a maior parte dos alunos das universidades brasileiras, públicas ou particulares (embora não haja tanta diferença, porque os DOIS ensinos são orientados a quem tem dinheiro - talvez haja mais pobres cursando faculdade particular), é branca. O recorde de colegas negros nas cadeiras que faço na faculdade é de 3&amp;#160;em uma sala onde os outros 30 alunos são brancos. JACKPOT!&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Tendo tudo isso em mente, como não ser a favor de uma medida que force a entrada de mais negros e negras no ensino superior? Tanto as cotas raciais quanto as para ensino público são medidas paliativas, estudadas pelo governo para serem isso mesmo, taparem um buraco enquanto não se resolve o problema - e estão previstas para acabarem muito antes do que prevejo que esses problemas sejam solucionados. Mas, até lá, tem gente que não tem grana acessando a faculdade pública. Até lá, tem pessoas cuja cor de pele traz toda sorte de problema acessando uma faculdade que, antes, lhes era praticamente proibida.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Minhas colegas estavam reclamando que elas não passaram na UFRGS por causa das cotas. Eu também: na primeira vez, fiquei a 15 pontos do último lugar e o último lugar das cotas que chegou a entrar fez 76 pontos a menos que eu; na segunda (pra outro curso), fiquei entre os 75 primeiros mas fui empurrada pra fora pelas cotas. Mas o que me deixa puta não é que tenha entrado cotista na minha frente. O que me deixa puta é saber que tem gente que CAGA DINHEIRO que está lá na UFRGS, com câmera Canon/Nikon, indo com carro que o pai e a mãe deram, e que podia pagar a PUCRS brincando, sem derramar uma gota de suor. Eu não me importo de não fazer UFRGS por causa de cotista. Me importa saber que tem gente que se fode pagando faculdade e poderia estar lá na federal, mas não está porque sua vaga foi aproveitada por gente que teve melhores escolas e muito mais dinheiro. Falei isso às minhas colegas. Ficou um silêncio&amp;#8230; aí uma &amp;#8220;É, isso é verdade. Eu posso pagar uma faculdade, tanto que tô aqui. Mas tem gente lá que podia pagar 3 vezes a minha e tá lá, de graça, enquanto tem gente fora que precisa&amp;#8221;.&lt;/span&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;Enfim. Enquanto as cotas continuarem - até onde sei, terminam em 2016 ou por aí - eu estou achando positivo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42213913654</link><guid>http://innuendoblues.tumblr.com/post/42213913654</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 15:34:47 -0500</pubDate></item></channel></rss>
